segunda-feira, 2 de novembro de 2009
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
“O AMOR QUE NÃO OUSA DIZER O NOME”
Oscar Wilde, escritor irlandês do Séc. XIX, teve longa experiência intelectual em Londres, capital da Inglaterra, onde viveu por muito tempo. Oscar Wilde tem lugar de destaque na literatura pelo fato de ser o fundador de um movimento estético denominado Dandismo, que defendia o belo contra os horrores daquela sociedade industrial.
Autor de várias comédias, contos e do célebre romance, O Retrato de dorian gray, Oscar Wilde foi condenado, em 1895, a dois anos de prisão, acusado de ter mantido relações sexuais com pessoas do mesmo sexo. “O amor que não ousa dizer o nome” foi uma expressão utilizada por ele para definir o desejo homossexual.
A partir do enunciado de Oscar Wilde, título desse texto, podemos verificar que muitos assuntos relacionados à sexualidade têm provocado intensos debates em nossa sociedade, principalmente a questão GLBT (Gays, Lésbicas e Travestis).
Sabemos que discutir a sexualidade não tem sido tarefa nada fácil, mesmo nas instituições escolares, lugar privilegiado para promoção do conhecimento e exercício da cidadania. Mas, como instigar o conviver em uma sociedade harmoniosa se há dificuldades em respeitar as diferenças, visíveis e invisíveis, entre nós, de diversas maneiras? Um dos assuntos, dentre tantos, digno de discussão, se refere aos gays negros que sofrem uma discriminação dupla.
Se há onze anos ocorria a primeira parada gay no Brasil, realizada em São Paulo, com o tema “Somos muitos e estamos em várias profissões”, nesse ano, completam-se 120 anos da abolição da escravatura negra. Se de um lado temos o avanço das conquistas dos gays graças à mobilização vinda dos movimentos de afirmação identitária, de outro, temos a exclusão racial que ainda nos envergonha, pois, parte considerável dos descendentes de escravos está marginalizada, sem vez e sem lugar numa sociedade que ajudou construir.
Nessa linha de pensamento, há muito para ser conquistado pelos gays negros, pois vivemos conseqüências da discriminação e dos estereótipos de beleza implantados em nosso país com um viés centrado unicamente nos padrões europeus. É o pensamento colonial que ainda se impõe diante de nós.
Assim, não é nenhuma surpresa verificarmos que, não raras vezes, o discurso machista, centrado em um sujeito masculino, dominador, insensível, é reproduzido por gays contra gays, uma vez que essa questão não se encerra pura e simplesmente nos campos heterossexual versus homossexual.
Há muitas fronteiras para abolirmos, considerando que o universo GLBT não é um grupo heterogêneo, uma vez que é formado por diversos matizes, como ser gay efeminado, ser gay masculinizado, ser transformista, ser transexual, ser travestis, ser bissexual, ser lésbica. Além de todas essas características, o preconceito e a discriminação são acentuados se acrescida a cor da pele, o lugar de origem, a idade e a classe social, tornando as pessoas em “não seres”, mesmo sendo.
Portanto, o Fórum das Entidades Negras de Minas Gerais, transgride as fronteiras do lugar comum quando insere, em sua pauta, a discussão sobre a comunidade GLBT, considerando que o “outro” é portador de identidades várias e que podemos, todos, promover uma nação melhor. O debate está aberto!
*Secretário do MOCAMBO - Movimento Negro de Mariana
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Nossa Senhora Aparecida, Colonialismo e Pobreza
Parte do nosso subdesenvolvimento se dá pelo fato de ainda guardarmos uma cultura de colonizados. A imagem acima é de Victor Meirelles que retratou a primeira missa no Brasil. Desde o dia 22 de abril de 1500, nosso futuro subdesenvolvido já estava traçado. Hoje, 12 de outubro de 2009, o silêncio típico de um dia de feriado foi quebrado por bombas, rojões e foguetes. Não, não estamos em guerra nem estão anunciando a chegada de um novo carregamento de cocaína. É apenas o dia de Nossa Senhora Aparecida onde tradicionalmente a população faz um tremendo barulho com foguetes ao meio dia.
Como moro num local alto, com vista para boa parte da cidade (tanto os bairros ricos como os pobres), pude presenciar um fenômeno interessante: a maior parte dos foguetes vinha de algumas favelinhas que rodeiam os bairros mais centrais e valorizados da cidade. Neste exato momento tive uma luz (não foi um milagre, foi apenas uma conclusão lógica de uma análise histórica e geográfica). O barulho que me incomodou hoje ao meio dia e que veio, principalmente, das áreas mais pobres é um reflexo do colonialismo português e católico que ainda hoje mantém domínio sobre essa nação subdesenvolvida. Não comemorar dias santos é pecado mortal. Mas não tem problema, essas pessoas pobres, feias, ignorantes e desdentadas que estão hoje soltando bombas e fazendo o maior barulho em nome da religião, não se importam em viver uma vida miserável, sabe por que?
Por que são herdeiros de um paraíso que sempre foi prometido, mas que nunca veio, nem nunca virá...
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
O Universo que é muito grande ou nós é que somos muito pequenos?
A trilha sonora junto com o vídeo é muito massa.
Dá pra arrepiar só de pensar na grandeza...ou na pequenez...
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Gripe suína: Operação pandemia
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Planeta Terra: estações de inverno e verão
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Algumas frases:
“O metafísico é um cego em um quarto escuro procurando um gato que não está lá; o teólogo é aquele que encontra o gato”. (autor anônimo)
“Afirmar que a Terra gira em torno do sol é tão errôneo quanto afirmar que Jesus não nasceu de uma virgem”. Cardeal Bellarmino, durante o julgamento de Galileu (1615)
“Os homens só serão livres quando o último déspota for estrangulado com as tripas do último religioso”. Diderot
“Quando o primeiro espertalhão encontrou o primeiro imbecil, Deus nasceu”. Millôr Fernandes
“Governar grilhando as mentes através do medo da punição em outro mundo é tão baixo quanto usar a força”. Hypatia (assassinada por cristãos em 415)
“A religião é verdade para os comuns, mentira para os sábios e útil para os governantes”. Sêneca (Citado em Deus, um delírio, p. 355, Richard Dawkins, C. L., 2007)
quarta-feira, 22 de julho de 2009
domingo, 19 de julho de 2009
GEOGRAFIA AGRÁRIA DA CRISE DE ALIMENTOS NO BRASIL
Segundo os autores e dados da ONU, em 2007 a população urbana ultrapassou a população rural pela primeira vez na história. Isso acarretou o aumento no consumo de alimentos e de carne que representam um grande ônus para a agricultura. Além disso, recentes instabilidades políticas e sociais nas áreas produtoras de petróleo, tem levado a um aumento no preço do produto e consequentemente um aumento nos preços dos alimentos, devido a rede de distribuição ser feita por veículos movidos à petróleo.
Mais adiante, os autores analisam a questão da América do Sul e da estruturação dos processos fundiários nesta região se darem a partir do Brasil e da Argentina devida a demanda por terras e agronegócios.
Um problema sério enfrentado pelo Brasil, segundo os autores, é o aumento na área plantada de produtos para exportação e alimentação animal, enquanto a área plantada de produtos da cesta básica só diminuiu. Além disso, a corrida por terras destinas a produção de biocombustíveis, tem provocado um aumento no preço das terras que acaba acarretando também um aumento no preço dos alimentos.
Espacialmente, as áreas plantadas com produtos da cesta básica diminuem principalmente nas regiões mais capitalizadas do país como no caso da região centro-sul. Porém, na região nordeste a redução foi ainda maior, o que representa um problema social, pois esta região tem problemas com a fome.
A transformação de pastagens em áreas produtoras de cana-de-açúcar no centro-sul, tem deslocado a criação de gado para o centro oeste e para a Amazônia. O aumento no consumo de carne bovina tem transformado este produto numa commodittie, aumentando a área de pastagens sobre a floresta amazônica.
A grilagem de terras do Estado acaba sendo uma prática normal nas áreas de expansão da fronteira agrícola. Além disso, a floresta é queimada para ser transformada em carvão vegetal usado para reduzir o ferro nas siderúrgicas, deixando o Brasil com um prejuízo ambiental enorme.
A expansão da fronteira agrícola e a expulsão de populações tradicionais de áreas transformadas em monocultura se configura num principal foco de tensões e conflitos sociais no campo no Brasil.
No final, os autores debatem a questão da colonização e da exploração de nossas terras nos últimos quinhentos anos, e como as relações colônias de poder não permitiram que nos desenvolvêssemos.
Análise da declaração Rio 1992 e a Agenda 21
A partir dos debates realizados em Estocolmo em 1972 e logo no Rio de Janeiro em 1992 iniciou-se uma busca pelo desenvolvimento sustentável. O modelo de desenvolvimento tratado então busca adotar ‘’uma abordagem equilibrada e integrada das questões relativas ao meio ambiente e à sociedade’’ (Agenda 21, preâmbulo 1.2). Este modelo direciona um crescimento com responsabilidades compartilhadas, ações integradas com participação de toda a sociedade seja ela local e global. Isto implica numa transição e em uma abordagem sistêmica.
Diante disso, entende-se o papel importante que o Estado possui como construtor e regulador de leis e espaços que garantam o exercício de o cumprimento dos objetivos relativos à proteção ambiental. Outra função importante do Estado tange aos assuntos financeiros. De acordo com a Declaração do Rio sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento gerenciamento e financiando projetos que garantam uma administração do setor econômico relacionado com a administração dos recursos financeiros. Além de no âmbito comercial estabelecer que este seja aberto e favorável.
As organizações não-governamentais também têm uma função muito importante, pois atuam muitas vezes independentes do apoio do Estado, geram produção de conhecimento, mobilização pública, execução de projetos ambientais, etc. Por isso, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento defende o fortalecimento do papel das organizações não-governamentais como grandes aliados no desenvolvimento sustentável.
Além desses, é de suma importância a execução de fóruns e conferências à nível mundial que possam firmar metas globais de sustentabilidade e cobrar dos Estados Nações por meio de acordos de cooperação internacional. Bem como chama a atenção da comunidade global para a necessidade de cada vez mais pensar num modo de ‘’vida saudável, produtivo em harmonia com a natureza’’ (Princípio 1 do Rio sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento).
Nota-se que estes atores possuem grandes responsabilidades no que se refere à natureza. No entanto, todas as suas ações são voltadas para os indivíduos, para a sociedade local e global. Conclui-se então que existe uma responsabilidade maior que é a denominada responsabilidade do individuo, ou do cidadão. É o cidadão que vai acrescentar ou não, executar ou não, fazer ou não parte do processo de mudança voltado para um modo de produção mais limpo e mais justo.
No Princípio 2 da Declaração do Rio sobre meio Ambiente e Desenvolvimento, os Estados teriam direito de explorar os recursos segundo suas próprias políticas. Desde que não afete o meio ambiente de outros Estados.
No que tange às instituições ambientais nacionais, é imprescindível o crescimento e fortalecimento de órgãos dos Estados, tanto os ricos como os pobres, na direção de proteger o meio ambiente e garantir a criação e o cumprimento de políticas voltadas à manutenção dos ecossistemas e o uso racional dos recursos naturais.
Os ministérios de meio ambiente e as secretarias estaduais e municipais de meio ambiente assim como outras instituições públicas como os institutos de meio ambiente devem trabalhar em conjunto na mesma perspectiva, direcionado o foco das necessidades e prioridades a serem seguidas.
No âmbito internacional, organismos como a ONU, o Banco Mundial e o FMI devem seguir a mesma lógica de aperfeiçoar e unificar políticas supranacionais que valorizem a preservação ambiental e diminua as disparidades entre o Norte desenvolvido e Sul subdesenvolvido.
Os países ricos precisam encontrar novas formas de produzir e consumir, poluindo menos para que as gerações futuras não recebam a conta do modo de vida atual que despeja nos ecossistemas uma enorme quantidade de resíduos tóxicos. Já os países pobres também degradam os recursos na busca de minimizar a pobreza, mas sem responsabilidade e políticas ambientais.
O ar é poluído com gases do efeito estufa e com gases que reagem com a camada de ozônio, e por isso, ameaçam a manutenção da vida no planeta. Nos países pobres, o ar é poluído por queimadas e por tecnologias obsoletas, como os veículos que não possuem catalisador, por exemplo.
Principalmente nos países ricos, o solo é contaminado com pesados pesticidas e agrotóxicos que, além de deteriorarem o solo a longo prazo, injetam na cadeia alimentar todos esses compostos nocivos à saúde tanto humana quanto do meio ambiente como um todo. Já nos países pobres, as técnicas ultrapassadas de produção agrícola é que degradam o solo.
A água, por ser um recurso natural tão indispensável ao desenvolvimento dos organismos e à qualidade de vida de qualquer população, deveria ser mais respeita e ter mais atenção dos órgãos competentes. Tanto aqüíferos, quanto as águas superficiais são poluídas por esgotos domésticos e industriais.
A agenda 21 da Conferência das Nações Unidas pretende dedicar total atenção à preservação dos recursos indispensáveis à vida.
A ONU, por ser uma importante instituição deve criar metas, fiscalizar e divulgar dados a respeito da evolução da preservação ambiental. O Banco Mundial, por ser um grande patrocinador de empreendimentos pelo mundo, deveria usar sua influência para disseminar os empreendimentos sustentáveis e fiscalizar a base ecológica destes empreendimentos. A fiscalização viria dos relatórios de impacto ambiental e estudos de impacto ambiental que teriam um caráter sério e comprometido com o meio ambiente e com as populações envolvidas em qualquer obra financiada pelo Banco. Estas avaliações de impactos ambientais estão previstas no Princípio 10 da Declaração do Rio sobre meio Ambiente e Desenvolvimento e é um grande avanço instrumental para inibir empreendimentos que causariam graves danos e perdas ao meio ambiente.
Neste caráter, as instituições supranacionais teriam que se articular com instituições nacionais, criando órgãos e debates que partam do nível local, passando pelo regional e se articulando aos debates, metas e necessidades ambientais globais.
No Princípio 10 da Declaração do Rio sobre meio Ambiente e Desenvolvimento, a participação popular é garantida na formação da consciência ambiental e na disponibilização de informações.
Na luta pela sustentabilidade ambiental e pela conservação dos recursos, diferentes segmentos da sociedade como os movimentos sociais, as ONGs (Organizações não Governamentais), o empresariado, os partidos políticos e a sociedade civil como um todo devem participar e dar contribuições. Aliás, a pressão realizada pela sociedade organizada é que tem força suficiente para promover mudanças nos órgãos nacionais, internacionais e nas empresas.
Os movimentos sociais buscam a organização de um grande número de pessoas em torno de causas semelhantes. Estas causas podem variar desde problemas locais, como a poluição gerada por determinada indústria, até problemas que ultrapassam as fronteiras nacionais como o efeito estufa. Estes movimentos são importantes no sentido de forçar os órgãos competentes a enxergar e solucionar um problema, além de mostrar para uma outra parcela da população que existe o problema e que não se pode ficar indiferente a ele.
As Organizações não Governamentais começaram a crescer em número e importância em todo o mundo principalmente após a década de 1980. Estas organizações buscam preencher um vazio institucional gerado pela incompetência ou inadimplência Estatal que nem sempre dispõe de recursos e de vontade política para sanar problemas que afetam direta ou indiretamente a sociedade. As ONGs vão além dos movimentos sociais no sentido de focalizar um determinado problema e tomar atitudes práticas para solucioná-lo.
Enquanto os movimentos sociais se baseiam na articulação e no discurso popular, as ONGs são institucionalizadas e promovem atividades práticas voltadas a um problema específico, não deixando de lado o discurso. Esta característica particular das ONGs tem feito com que muitos governos repassem vultosas quantias de dinheiro para estas organizações.
As empresas privadas, desde uma indústria com capital local até as empresas multinacionais, têm um papel fundamental nas mudanças sociais voltadas para a conservação do meio ambiente. As legislações ambientais dos países precisam ser respeitadas pela indústria como um todo. Muitas são as maneiras da indústria contribuir. A instalação de filtros, o tratamento dos dejetos industriais, a reutilização da água, o combate ao desperdício de matéria-prima, o uso de tecnologias mais eficientes, a utilização de fontes de energias mais limpas e renováveis e o respeito pelas leis trabalhistas podem ser de extrema importância para o êxito de propostas sustentáveis a nível global.
Sobre a utilização de tecnologias mais eficientes e menos poluidoras, o Princípio 9 da Declaração do Rio sobre meio Ambiente e Desenvolvimento deixa explícita a necessidade de difusão das tecnologias dos países desenvolvidos, para os países mais pobres.
A sociedade como um todo tem um poder de mudança que lhe é alienado. Mudar hábitos de consumo e questionar empresas que não tem responsabilidade social e ambiental pode fazer muita diferença no modo como a indústria produz e gasta seu lucro. Além disso, a sociedade civil tem o direito de reivindicar dos políticos e das instituições uma atitude eficiente para os problemas.
Com a entrada do movimento ecologista na política e com o aumento da importância e da dimensão dos “partidos verdes”, todos os demais partidos procuraram incluir nas suas campanhas discursos e projetos ambientais. Levar o movimento ambientalista para a arena política foi uma estratégia positiva no sentido de politizar o movimento, dando uma maior dimensão e visibilidade aos seus projetos num contexto em que a política estava associada mais à economia e dissociada das questões ambientais.
Nos Princípios 5 e 6 da Declaração do Rio sobre meio Ambiente e Desenvolvimento, os Estados e indivíduos cooperariam com o princípio de erradicar a pobreza e nivelar o padrão de vida da população como um todo. Além de haver ações na área de desenvolvimento para que todos os países sejam ouvidos e suas necessidades atendidas.
Porém, esta meta parece estar suficientemente longe para ser alcançada num futuro próximo. Na teoria é um avanço, mas na prática é fora do contexto real. Além disso, no discurso ambiental, é preciso superar muitas idéias ultrapassadas.
Muitas vezes os recursos naturais ou matérias primas perdem seu valor devido à ilusão de que sua utilização está diminuindo e consequentemente sua importância para a economia também. “A economia urbano-industrial moderna continua tão absolutamente dependente dos recursos da Terra quanto qualquer outra economia na história humana, apesar das ilusões de ótica geradas pela paisagem tecnologia.” (PÁDUA, ano?, p.14). Isso prejudica os países subdesenvolvidos por estes serem exportadores de matérias primas e os afasta ainda mais da riqueza gerada no comércio internacional.
Mesmo assim, fica evidente o aumento do trânsito de produtos primários que aconteceu nas últimas décadas principalmente indo dos países subdesenvolvidos para os desenvolvidos.
Entretanto, um aumento no comércio internacional não garante necessariamente a inserção justa e o aumento da participação dos países pobres nesse comércio. Segundo Pádua, a idéia de globalização é ilusória e a humanidade pode ser dividida em três grandes blocos.
“O Bloco I é formado por 1/5 da humanidade (cerca de 1,2 bilhões de pessoas) e corresponde ao grupo de alto consumo. [...] é responsável por 82,7 % do PIB mundial, 81,2 % do comércio mundial [...]. O Bloco II é formado por 3/5 da humanidade (cerca de 3,6 bilhões de pessoas) [...]. O grupo é responsável por 15,9 % do PIB e 17,8 % do comércio mundial. [...] O Bloco III é formado pelos 1/5 mais pobres da humanidade (cerca de 1,2 Bilhões de pessoas). O bloco é responsável por 1,4 % do PIB mundial e 1 % do comércio mundial.” (PÁDUA, ano?, p. 26)
Sobre a globalização, Pádua continua afirmando:
“O que é chamado de globalização, de fato, corresponde ao modo de vida de 20 a 40% da população mundial. O comércio global, a internet, os avanços tecnológicos são apropriados por essa minoria, apesar de modificar o conjunto do ambiente global, degradando o ambiente de toda a humanidade. É fundamental lembrar que pelo menos 40% dos seres humanos estão quase totalmente alijados do padrão de vida dito globalizado.” (PÁDUA, ano?, p. 27)
Sendo assim, uma grande porcentagem de pessoas não tem acesso aos bens, produtos e riquezas gerados pelo comércio internacional. Porém, todos pagam a conta ambiental do consumo dos mais ricos.
De uma forma geral, a Declaração do Rio sobre meio Ambiente e Desenvolvimento e a agenda 21 da Conferência das Nações Unidas traz grandes avanços no que tange ao compartilhamento de tecnologias, participação popular, das mulheres e dos povos indígenas nas políticas ambientais e de desenvolvimento sustentável. Traz também avanços nas áreas de legislação ambiental e responsabilidade ambiental. Todavia, desde que a Declaração foi feita em 1972, as disparidades regionais, a concentração de renda e a degradação ambiental só aumentaram, o comércio internacional ficou ainda mais injusto e os problemas ambientais globais ainda continuam sem uma solução efetiva.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
NOSSO FUTURO COMUM
DA TERRA AO MUNDO
Não é tarefa deste livro fazer previsões catastróficas para um futuro de restrições e misérias, mas sim de achar meios inteligentes de garantir a continuação da espécie humana no mundo sem causar desequilíbrios nos ecossistemas.
No texto há um diagnóstico de alguns dos principais problemas sociais e ambientais que estamos passando, tais como o “efeito estufa”, o buraco na camada de ozônio, o desmatamento, a pobreza, o analfabetismo, a mortalidade infantil.
Com o desenvolvimento industrial e com a expansão do consumo aos países em desenvolvimento, houve um aprofundamento da crise ambiental que agora não mais respeita fronteiras e abrange todo o globo. Ainda assim, com nosso futuro ameaçado, os países preferem investir mais em exércitos e defesa contra outros países do que investir, por exemplo, em deter o avanço da desertificação.
Para garantir que as futuras gerações não passem por escassez e problemas ambientais graves, é preciso investir em desenvolvimento sustentável. Isso não quer dizer um convívio harmonioso com a natureza por toda a eternidade, mas sim um maior equilíbrio entre o que necessitamos para nos desenvolver e a capacidade do planeta em se regenerar das atividades humanas predatórias. Até por que, mesmo que tenhamos uma tecnologia relativamente desenvolvida, ela ainda é muito ineficiente e pouco disseminada para países pobres.
Sendo os problemas ambientais amplos ao nível internacional, ultrapassando as fronteiras nacionais, é imprescindível que instituições políticas globais e a participação popular tomem a frente no combate à degradação ambiental e na aplicação de um modelo de desenvolvimento sustentável.
No âmbito das diretrizes políticas, o aumento descontrolado da população, principalmente nos países pobres, sem um devido desenvolvimento econômico e social leva a uma intensa degradação ambiental, desmatamento, e perda de solos agricultáveis. É de suma importância que a produção agrícola seja estimulada e que o pequeno agricultor seja valorizado.
Nos ecossistemas, a forte degradação tem provocado uma extinção em massa e uma perda irreparável de biodiversidade. Ações políticas devem ser rápidas nesse sentido para evitar perdas maiores.
Atitudes políticas drásticas devem também
ser tomadas em relação à energia, instrumento fundamental para o desenvolvimento. O que mais preocupa é que as fontes de energia mais utilizadas ultimamente não são renováveis e a poluição causada por elas agrava outros problemas ambientais.
É urgente também o controle da produção e do uso de produtos químicos produzidos pela indústria. Além disso, a produção industrial precisa desenvolver novas técnicas mais eficientes de produção, com desenvolvimento tecnológico. Neste e em outros aspectos as multinacionais podem desempenhar um importante papel. Porém, o Estado deve estar fortalecido a fim de ter seus direitos ambientais respeitados.
Como os problemas ambientais não podem ser resolvidos somente no nível nacional, é preciso que haja o fortalecimento e a ampliação de instituições internacionais que garantam o cumprimento de acordos sobre assuntos de interesse mútuo. Assim, haveria uma administração dos bens comuns a toda a humanidade e uma preservação ambiental. Um ambiente equilibrado e um maior desenvolvimento econômico trazem paz e prosperidade para todos, diminuindo os riscos de guerras, escassez e desequilíbrios.
Um ponto que poderia ser criticado do texto é a fixa idéia de que a pobreza nos países subdesenvolvidos é decorrente da degradação ambiental, como ficou exposto ao longo do texto. Sabemos que as questões ambientais são apenas um dos muitos fatores que justificam o atraso destas partes do globo.
Todos os países possuem sua cota de participação e responsabilidade na questão ambiental e do desenvolvimento sustentável. O importante agora é fortalecer instituições supranacionais e iniciar as mudanças o mais rápido possível.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Susan Boyle e a Globalização
A Globalização é o processo de integração e aproximação dos diferentes povos e culturas do planeta Terra em uma grande “aldeia global”. (pelo menos teoricamente)A escocesa Susan Boyle pode ser considerada um novo ícone da música (e da Globalização também). Vou explicar.
Depois de se apresentar no programa britânico de novos talentos Britain’s Got Talent, Susan surpreendeu os jurados, a platéia e os telespectadores com sua voz divina e seu jeito simples. Imediatamente, o vídeo de sua apresentação na TV britânica foi colocado no YouTube. Em questão de dias, pessoas em todos os países do mundo estavam vendo o vídeo que teve dezenas de milhões de acessos.
E não parou aí. Jornais impressos e televisivos e milhares de blogs e sites produziam e reproduziam conteúdos sobre Susan. Enfim, o talento desta mulher foi uma sensação global que ultrapassou qualquer tipo de fronteira política e quebrou as distâncias geográficas e culturais.
Para que a apresentação de Boyle fosse vista nos quatro cantos do planeta, a inernet foi fundamental, e pra quem não se lembra das aulas de Geografia do Ensino Médio, a internet é um dos maiores símbolo da Globalização.
Além disso tudo, quando Susan subiu no palco, todos riram de sua aparência física e de seu jeito simples, mas depois de cantar foi aplaudida de pé por todos. Ela quebrou preconceitos e nos mostrou a sociedade hipócrita, vazia e narcisista em que vivemos.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Espaço sócioambiental e troca desigual
Para a economia ecológica, os ecossistemas são controlados pela capacidade de suporte e pelo equilíbrio entre o que entra e o que sai do sistema. Nesta perspectiva, a economia ecológica e a crise ambiental podem encontrar uma eficiente proposta no desenvolvimento sustentável. A economia ecológica analisa os fluxos de energia dentro dos sistemas e sua correspondente econômica de preços e avaliações econômicas de recursos ambientais.
Os economistas ambientais buscam estudar o nível de desordem provocado num sistema para transformar os recursos. Esta desordem é inexorável, na media em que outros materiais serão usados na transformação da matéria, a entropia (desordem) do sistema só aumenta. Esta entropia só poderia ser reduzida com a utilização racional de bens e energia. Para Montibeler, as trocas econômicas e ambientais desiguais provêm da incapacidade da geração presente em avaliar os custos da degradação ambiental para o presente e para o futuro.
A troca econômico-ecológica desigual é a razão dos diferentes níveis de desenvolvimento entre regiões ou nações. Ela não leva em consideração os prejuízos ambientais presentes e futuros e os custos de recuperação de áreas de extração de recursos. Assim, esta teoria das trocas desiguais lança um novo olhar sobre as causas do subdesenvolvimento, no sentido de que os países pobres exportam produtos primários e ficam com o prejuízo econômico e ecológico, enquanto as nações ricas exportam “produtos de fabricação rápida”, aumentando a desordem ambiental e social nos países pobres. Isso por que, o valor dos produtos primários não inclui o preço da desordem e da pobreza geradas pela exploração ambiental. Além disso, o autor faz uma crítica a escola neoclássica que valoriza os custos ambientais de uma forma errada, pois alguns valores são incomensuráveis do ponto de vista das gerações futuras, por exemplo.
Para que haja sustentabilidade, os prejuízos ambientais provocados pela produção de bens devem ser calculados de uma forma que ultrapassa fronteias geográficas. Isso devido ao fato de muitas agressões ambientais ultrapassarem o local onde tiveram origem.
Sendo assim, existe o “espaço ambiental” que compreende todo um campo de produção de um determinado bem, do desgaste ambiental e da dissipação dos poluentes, provenientes da industrialização deste bem, para outras regiões que não estavam inicialmente inseridas no processo da produção. A região compradora dos recursos e dissipadora de poluentes deve reduzir sua poluição ou pagar a compensação para os exportadores de recursos e para os recebedores da poluição gerada pelos processos industriais.
A troca ecológica desigual pode, portanto aprofundar a pobreza e até mesmo explicá-la, uma vez que os custos sociais são excluídos da contabilidade dos recursos. Produtores de matéria - primas empobrecem não por explorarem poucos recursos, mas por explorarem mão-de-obra e por ficarem com o prejuízo ambiental e social.
Para exemplificar a teoria da troca ecológica desigual, Montibeller analisa a região carbonífera de Santa Catarina. Para o autor, o salário dos mineiros não corresponde ao desgaste físico provocado por longas e penosas jornadas de trabalho. Se fosse computada a saúde do trabalhador, os salários seriam muito maiores. Além disso, depois de alguns anos, devido ao desgaste físico, o mineiro aposenta por não mais interessar ao capital, ficando os custos de sua aposentadoria e saúde para a previdência social.
Tem também o desgaste ambiental provocado pela exploração da pirita em Santa Catarina. O ar é poluído, aumentando o índice de doenças respiratórias, a água é poluída por rejeitos da exploração do carvão, tornado o abastecimento humano e a irrigação comprometida. Entres outros problemas ambientais. Apesar de medidas mitigadoras terem sido implementadas, muitos problemas persistem.
Na lógica das trocas ecológicas desiguais, o valor do carvão extraído de Santa Catarina não compensa pelos danos ambientais e sociais gerados na população e no ambiente daquele estado, inclusive, um aumento nos preços poderia diminuir os desequilíbrios ecológicos e desestimular o consumo do recurso.
Para que houvesse uma maior valorização dos recursos naturais, e para que as desordens provocadas pela sua exploração sejam levadas em consideração, é de fundamental importância que os movimentos sociais ambientais cresçam e se tornem atuantes, forçando os mercados consumidores a tornado as trocas ecológicas mais equilibradas e fazendo com que o capital arque com os custos sócio-ambientais da exploração dos recursos.
Pegue sua migalha e seja feliz!
domingo, 17 de maio de 2009
sábado, 25 de abril de 2009
Estão-nos mentindo sobre os piratas
Estão-nos mentindo sobre os piratas
5/1/2009, Johann Hari: The Independent, UK
Quem imaginaria que em 2009, os governos do mundo declarariam uma nova Guerra aos Piratas? No instante em que você lê esse artigo, a Marinha Real Inglesa – e navios de mais 12 nações, dos EUA à China – navega rumo aos mares da Somália, para capturar homens que ainda vemos como vilãos de pantomima, com papagaio no ombro. Mais algumas horas e estarão bombardeando navios e, em seguida, perseguirão os piratas em terra, na terra de um dos países mais miseráveis do planeta. Por trás dessa estranha história de fantasia, há um escândalo muito real e jamais contado. Os miseráveis que os governos 'ocidentais' estão rotulando como "uma das maiores ameaças de nosso tempo" têm uma história extraordinária a contar – e, se não têm toda a razão, têm pelo menos muita razão.
Os piratas jamais foram exatamente o que pensamos que fossem. Na "era de ouro dos piratas" – de 1650 a 1730 – o governo britânico criou, como recurso de propaganda, a imagem do pirata selvagem, sem propósito, o Barba Azul que ainda sobrevive. Muita gente sempre soube disso e muitos sempre suspeitaram da farsa: afinal, os piratas foram muitas vezes salvos das galés, nos braços de multidões que os defendiam e apoiavam. Por quê? O que os pobres sabiam, que nunca soubemos? O que viam, que nós não vemos? Em seu livro Villains Of All Nations, o historiador Marcus Rediker começa a revelar segredos muito interessantes.
Se você fosse mercador ou marinheiro empregado nos navios mercantes naqueles dias se vivesse nas docas do East End de Londres, se fosse jovem e vivesse faminto–, você fatalmente acabaria embarcado num inferno flutuante, de grandes velas. Teria de trabalhar sem descanso, sempre faminto e sem dormir. E, se se rebelasse, lá estavam o todo-poderoso comandante e seu chicote [ing. the Cat O' Nine Tails, lit. "o Gato de nove rabos"]. Se você insistisse, era a prancha e os tubarões. E ao final de meses ou anos dessa vida, seu salário quase sempre lhe era roubado.
Os piratas foram os primeiros que se rebelaram contra esse mundo. Amotinavam-se nos navios e acabaram por criar um modo diferente de trabalhar nos mares do mundo. Com os motins, conseguiam apropriar-se dos navios; depois, os piratas elegiam seus capitães e comandantes, e todas as decisões eram tomadas coletivamente; e aboliram a tortura. Os butins eram partilhados entre todos, solução que, nas palavras de Rediker, foi "um dos planos mais igualitários para distribuição de recursos que havia em todo o mundo, no século 18 ".
Acolhiam a bordo, como iguais, muitos escravos africanos foragidos. Os piratas mostraram "muito claramente– e muito subversivamente– que os navios não precisavam ser comandados com opressão e brutalidade, como fazia a Marinha Real Inglesa." Por isso eram vistos como heróis românticos, embora sempre fossem ladrões improdutivos.
As palavras de um pirata cuja voz perde-se no tempo, um jovem inglês chamado William Scott, volta a ecoar hoje, nessa pirataria new age que está em todas as televisões e jornais do planeta. Pouco antes de ser enforcado em Charleston, Carolina do Sul, Scott disse: "O que fiz, fiz para não morrer. Não encontrei outra saída, além da pirataria, para sobreviver".
O governo da Somália entrou em colapso em 1991. Nove milhões de somalianos passam fome desde então. E todos e tudo o que há de pior no mundo ocidental rapidamente viu, nessa desgraça, a oportunidade para assaltar o país e roubar de lá o que houvesse. Ao mesmo tempo, viram nos mares da Somália o local ideal onde jogar todo o lixo nuclear do planeta.
Exatamente isso: lixo atômico. Nem bem o governo desfez-se (e os ricos partiram), começaram a aparecer misteriosos navios europeus no litoral da Somália, que jogavam ao mar contêineres e barris enormes. A população litorânea começou a adoecer. No começo, erupções de pele, náuseas e bebês malformados. Então, com o tsunami de 2005, centenas de barris enferrujados e com vazamentos apareceram em diferentes pontos do litoral. Muita gente apresentou sintomas de contaminação por radiação e houve 300 mortes.
Quem conta é Ahmedou Ould-Abdallah, enviado da ONU à Somália: "Alguém está jogando lixo atômico no litoral da Somália. E chumbo e metais pesados, cádmio, mercúrio, encontram-se praticamente todos." Parte do que se pode rastrear leva diretamente a hospitais e indústrias européias que, ao que tudo indica, entrega os resíduos tóxicos à Máfia, que se encarrega de "descarregá-los" e cobra barato. Quando perguntei a Ould-Abdallah o que os governos europeus estariam fazendo para combater esse 'negócio', ele suspirou: "Nada. Não há nem descontaminação, nem compensação, nem prevenção."
Ao mesmo tempo, outros navios europeus vivem de pilhar os mares da Somália, atacando uma de suas principais riquezas: pescado. A Europa já destruiu seus estoques naturais de pescado pela superexploração – e, agora, está superexplorando os mares da Somália. A cada ano, saem de lá mais de 300 milhões de atum, camarão e lagosta; são roubados anualmente, por pesqueiros ilegais. Os pescadores locais tradicionais passam fome.
Mohammed Hussein, pescador que vive em Marka, cidade a 100 quilômetros ao sul de Mogadishu, declarou à Agência Reuters: "Se nada for feito, acabarão com todo o pescado de todo o litoral da Somália."
Esse é o contexto do qual nasceram os "piratas" somalianos. São pescadores somalianos, que capturam barcos, como tentativa de assustar e dissuadir os grandes pesqueiros; ou, pelo menos, como meio de extrair deles alguma espécie de compensação.
Os somalianos chamam-se "Guarda Costeira Voluntária da Somália". A maioria dos somalianos os conhecem sob essa designação. [Matéria importante sobre isso, em http://wardheernews .com/Articles_ 09/April/ 13_armada_ not_solution_ muuse.html : "The Armada is not a solution".] Pesquisa divulgada pelo site somaliano independente WardheerNews informa que 70% dos somalianos "aprovam firmemente a pirataria como forma de defesa nacional".
Claro que nada justifica a prática de fazer reféns. Claro, também, que há gângsteres misturados nessa luta – por exemplo, os que assaltaram os carregamentos de comida do World Food Programme. Mas em entrevista por telefone, um dos líderes dos piratas, Sugule Ali disse: "Não somos bandidos do mar. Bandidos do mar são os pesqueiros clandestinos que saqueiam nosso peixe." William Scott entenderia perfeitamente.
Por que os europeus supõem que os somalianos deveriam deixar-se matar de fome passivamente pelas praias, afogados no lixo tóxico europeu, e assistir passivamente os pesqueiros europeus (dentre outros) que pescam o peixe que, depois, os europeus comem elegantemente nos restaurantes de Londres, Paris ou Roma? A Europa nada fez, por muito tempo. Mas quando alguns pescadores reagiram e intrometeram- se no caminho pelo qual passa 20% do petróleo do mundo... imediatamente a Europa despachou para lá os seus navios de guerra.
A história da guerra contra a pirataria em 2009 está muito mais claramente narrada por outro pirata, que viveu e morreu no século 4º AC. Foi preso e levado à presença de Alexandre, o Grande, que lhe perguntou "o que pretendia, fazendo-se de senhor dos mares." O pirata riu e respondeu: "O mesmo que você, fazendo-se de senhor das terras; mas, porque meu navio é pequeno, sou chamado de ladrão; e você, que comanda uma grande frota, é chamado de imperador." Hoje, outra vez, a grande frota europeia lança-se ao mar, rumo à Somália – mas... quem é o ladrão?
http://www.independ ent.co.uk/ opinion/commenta tors/johann- hari/johann- hari-you- are-being- lied-to-about- pirates-1225817. html
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Terceira do Plural
Composição: Humberto Gessinger
Corrida pra vender cigarro
Cigarro pra vender remédio
Remédio pra curar a tosse
Tossir, cuspir, jogar pra fora
Corrida pra vender os carros
Pneu, cerveja e gasolina
Cabeça pra usar boné
E professar a fé de quem patrocina
Eles querem te vender...
Eles querem te comprar...
Querem te matar (a sede)
Eles querem te sedar!
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
Quem são eles?
Quem são eles?
Corrida contra o relógio
Silicone contra a gravidade
Dedo no gatilho, velocidade
Quem mente antes, diz a verdade
Satisfação garantida
Obsolescência programada
Eles ganham a corrida
Antes mesmo da largada
Eles querem te vender...
Eles querem te comprar...
Querem te matar (de rir)
Querem te fazer chorar
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
Quem são eles?
Quem são eles?
Vender...comprar...
Vedar os olhos...jogar a rede...contra a parede
Querem nos deixar com sede,
Não querem nos deixar pensar!
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
Quem são eles?
Quem são eles?...
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Uma nova visão sobre a crise
"Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado?
É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem.
Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.
No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo.
Resolver, capicce?
Extinguir.
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro.
Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.
Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse.
Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia. Bancos e investidores.
Como uma pessoa comentou, é uma pena que esse texto só esteja em blogs e não na mídia de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar.
Se quiser, repasse, se não, o que importa?
O nosso almoço tá garantido mesmo ...
Texto do Neto, diretor de criação e sócio da Bullet, sobre a crise mundial.
sábado, 10 de janeiro de 2009
O Papa é Pope: o Pope não poupa ninguém!
Fiquei remoendo esse devaneio papal durante todos estes dias e hoje resolvi escrever este post.
Bom, para começar, essa coisa de livrar o mundo deste grupo ou daquele grupo leva a um instigante pensamento de genocídio.
Segundo o dicionário Aurélio genocídio tem o seguinte significado:
“Crime contra a humanidade, que consiste em, com o intuito de destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, cometer contra ele qualquer dos atos seguintes: matar membros seus; causar-lhes grave lesão à integridade física ou mental; submeter o grupo a condições de vida capazes de o destruir fisicamente, no todo ou em parte; adotar medidas que visem a evitar nascimentos no seio do grupo; realizar a transferência forçada de crianças dum grupo para outro: "Quantas esperanças fundaram os alemães nos gases asfixiantes e na guerra bacteriológica! .... E os que mais protestavam contra esses nefandos genocídios herdaram a idéia e continuaram estudos de aperfeiçoamento dela" (Fidelino de Figueiredo, O Medo da História, pp. 153-154).”
Ou seja, Bento XVI está estimulando o genocídio, disseminando o ódio e a intolerância entre nós. Definitivamente esta não é a função de uma instituição “santa”.
O mundo já tem muitos conflitos, sofrimento, incompreensão e miséria, aí vem o Bentinho e joga mais lenha na fogueira. Aliás, a igreja católica adora uma fogueira...
Se o papa realmente quisesse ajudar a humanidade, como disse, ele deveria vender todo o ouro e as milionárias obras de arte dos museus do Vaticano para fundar instituições de caridade no terceiro mundo. Esse sim seria um tremendo bem para nossa espécie.
E, na minha quase vã ânsia de ser ouvido, deixo aqui um recado ou conselho para Joseph Ratzinger:
“Meu senhor, cuidado com suas cruzadas ideológicas e declarações de fundo racista e preconceituoso. Pois, pode ser que o apelido de Papa nazista pegue pra valer.”
Abaixo está uma foto do jovem Joseph Ratzinger em seu impecável uniforme da juventude Hitlerista.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Mulher resiste à desocupação da colônia judaica de Amona, na Cisjordânia, feita pelo Exército de Israel (1-2-2006). A foto é do israelense Oded Balilt
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
África: flagelo?
O infeliz neste caso é que quando se fala no continente africano alguns estereótipos depreciativos parecem difíceis de superar. O cinema e a literatura são fontes de propagação de preconceitos. A África é preta, pobre, faminta, aidética e cheia de outras doenças que a ciência ainda não descobriu a cura e parece não estar interessada em fazê-la, afinal, o investimento em pesquisa seria alto e o retorno irrisório (economicamente falando, compensa muito mais desenvolver remédios para emagrecimento e manutenção da ereção masculina).
A África é o continente mais rico em recursos naturas da Terra. Uma riqueza que contrasta com seu subdesenvolvimento social e econômico.
Os mais lindos e raros diamantes, extensas áreas ricas em petróleo e gás natural, minérios e ouro não foram suficientes para dar ao povo africano as condições mais básicas de sobrevivência. Muito pelo contrário...
A disputa por estas riquezas e pelo poder político pelas diferentes etnias africanas instaladas dentro de um mesmo país cuja fronteira é arbitrária, é que ocasiona todo o tipo de guerra civil que atinge várias nações africanas.
Este continente foi colonizado e explorado pelas potências européias desde o século XVI. O continente foi dividido entre alguns países: Inglaterra, Portugal, Espanha, Alemanha, Bélgica, Itália e França. Essa divisão foi de acordo com os interesses europeus e não levou em consideração os aspectos étnicos e culturais africanos, criando países com fronteiras artificiais e colocado dentro destes territórios etnias e tribos historicamente rivais e inimigas, enquanto separou tribos aliadas em diferentes lados da fronteia. Resultado: enquanto a Europa saqueava as riquezas, a população se digladiava. È a famosa tática de guerra: Dividir para conquistar.
É também um círculo perverso: As armas são fornecidas pelos países industrializados e os conflitos militares naquele continente não ganham destaque nos jornais. Os refugiados se amontoam, as doenças proliferam, os mortos e feridos são esquecidos e nem sequer viram estatísticas. Todo esse anonimato estimula ainda mais a carnificina que acontece todos os dias com nossos irmãos africanos. O dinheiro do ouro, do petróleo e dos diamantes financia a compra de mais armas e a historia se repete... Enquanto isso os jornais e telejornais em todos os cantos do mundo nos anestesiam com notícias sobre celebridades, acidentes automobilísticos e picuinhas internacionais. A ONU não pode fazer nada, pois é uma marionete dos países ricos e uma instituição decadente, que foi criada no fim da segunda guerra mundial e que não consegue mais dar conta da complexidade do mundo pós-guerra fria.
O mapa abaixo faz uma comparação entre como é a atual divisão política africana baseada nos interesses europeus e como seria a divisão do continente se fossem levados em conta os fatores étnicos e históricos:
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Perfeição: Legião Urbana
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...
Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...
Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...
Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...
Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
O nevoeiro: Suspense perfeito!


Este filme baseado em Stephen King é um longa daqueles que nos fazem ficar pensando horas depois de acabar.
No filme, um grupo de pessoas fica preso em um supermercado enquanto um nevoeiro, vindo das montanhas, cobre a cidade e deixa todos que foram engolidos pela névoa em pânico e gritando até a morte.
Nas montanhas existe uma base militar onde são realizadas experiências secretas, que depois são reveladas por um oficial. Os cientistas desta base descobriram que existem muitas dimensões em torno de nós e conseguiram abrir uma janela para tais dimensões. O problema, é que a passagem não foi mais fechada.
No supermercado as pessoas lutam para encontrar explicações e uma maneira de se salvarem. O cenário é composto de uma fanática religiosa e seus “seguidores”, que acham que chegou o dia do juízo final. Outras pessoas buscam explicações mais concretas e pensam num jeito de sair. Entre discussões e fatos, entre quem está certo ou errado, a briga começa e um militar é julgado, condenado e entregue à névoa.
Depois de mexer com o máximo de sentimentos e emoções humanas, nos últimos minutos o filme reserva uma chocante surpresa...
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Uma reflexão sobre educação...
Somos seres biológicos. A força que a biologia nos impõe é incalculável. Negar isso é o mesmo que afirmar que não podemos explorar os mares apenas por que não temos a capacidade de nadar. Nascemos e nossa primeira característica é o egoísmo. Depois, conforme crescemos, temos que lutar pra sobreviver num mundo que é visto como hostil e satisfazer nossos desejos e ambições.
O capitalismo representa tudo o que há de mais primitivo e irracional dentro de nós. Tudo que se produz, é com o intuito de ganhar lucro e acúmulo de riquezas. Estamos numa fase capitalista onde absolutamente tudo, desde a roupa que cobre o corpo impedindo que eu sinta frio, até os sentimentos e desejos sexuais se transformaram em mercadoria. Hoje, absolutamente tudo é mercadoria.
Nascemos e crescemos num mundo competitivo e nos é ensinado que temos que lutar com todas as armas de que dispomos para superar a todos em força e inteligência, pois somente os mais fortes e inteligentes são dignos de desfrutarem de todos os confortos e possibilidades do mundo moderno.
Nas escolas a palavra de ordem é superar o colega e provar ser o melhor. Nenhum valor humano é passado às crianças. Mas, o que poderia ser feito para mudar esse sistema? Será que existe a possibilidade de minimizarmos a força das “paixões” biológicas e ampliarmos os valores sociais e humanos que foram criados para conseguirmos viver em sociedade?
Também não existe receita ou resposta pronta pra essas questões. Temos que mudar. Isso é obvio! Chegamos num estágio de desenvolvimento em que essa mudança significará o sucesso ou o fracasso da nossa civilização. O capitalismo é uma bomba-relógio que inexoravelmente explodirá mais cedo ou mais tarde. Mas, por onde começar?
Tudo nos indica que temos que voltar nossos olhos e atenção para as escolas e a educação. Isso implica também uma mudança no perfil do educador.
Inicialmente, temos que formar educadores compatíveis com essa nova realidade. Profissionais que consigam, além de transmitir o conhecimento científico, transmitir valores humanitários. Tais valores representariam tudo o que é preciso pra que haja equilíbrio na sociedade. Desde a questão ecológica, passando pelo consumo, até o respeito pelas diferenças culturais e raciais.
Está claro que a escola desempenhará um papel fundamental nessa nova maneira de enxergamos o mundo e a nós próprios. Só conseguiremos sobreviver e continuar a evoluir se deixarmos de lado antigos paradigmas e o pensamento individualista, para pensarmos na sobrevivência coletivamente sem deixar de respeitar as liberdades e direitos individuais. O mundo hoje está integrado de uma forma tão complexa que ainda não entendemos com clareza. Mas, uma coisa está certa: as presentes instituições não conseguem mais dar conta desses grandes desafios. Temos que revolucionar a educação. Pra isso será preciso reformar a escola para que se crie uma sociedade de pessoas esclarecidas, humanizadas e empenhadas em transformar um antigo e arcaico mundo num lugar melhor, mais seguro e mais justo.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Multipolaridade
Astronauta faz primeira caminhada espacial chinesa

Índia lança com sucesso missão não tripulada à Lua

Essa semana, outra notícia exótica circulou pelos meios de comunicação: A Índia, país subdesenvolvido, com uma renda per capta muitíssimo inferior à européia e americana lançou uma sonda para explorar a lua, nosso satélite natural.
O que estes países têm em comum?
China e Índia são considerados países emergentes e com um crescimento econômico invejável. São detentores de armas nucleares, são as duas nações mais populosas da Terra e estão entrando para o seleto grupo de países que possuem tecnologia de exploração espacial.
Isso significa que o eixo econômico global está tomando um formato diferente daquela que havia até o final do século XX, onde apenas Estados Unidos, Europa ocidental e Japão figuravam como hegemônicos. A medida que o poder econômico se distribuir à outras nações, é provável que os centros de decisões políticas também mudem.
Enquanto países emergentes continuam roubando a cena, o ocidente está esgotado de inovações e repleto de contradições internas, como a atual intervenção estatal na economia para tentar evitar o agravamento da crise mundial.
Tudo isso indica que nas próximas décadas o mundo caminhará para uma multipolaridade onde Rússia, China, Índia e talvez América do sul disputem poder no cenário global.
Geoeconomia. Fim das Guerras?
Num mundo globalizado e com uma interdependência cada vez maior entre os parceiros comerciais, fica cada vez mais difícil interferir militarmente em um país. As empresas transnacionais, as privatizações e novas tecnologias de informação como a internet, que, de certa forma, desterritorializam uma corporação, também são responsáveis por essa tendência a uma substituição dos conflitos militares pelas regras do comércio.
Thurrow, também compartilha dessa idéia, e argumenta que “os confrontos militares representam um desperdício de recursos”. Como as economias estão cada vez mais interligadas, uma crise em um único país pode prejudicar seriamente todos os outros. Assim, “a competição agora é por produzir melhores bens, aumentar o nível tecnológico, educacional e de consumo da população”.


Para thurrow, existem hoje cinco “placas tectônicas” que estão alterando a geopolítica no mundo. A primeira delas é a transição problemática do socialismo para o capitalismo que deixou várias nações com sérios problemas econômicos e sociais. A segunda placa seria a globalização da economia que vem ocorrendo desde o início dos anos 70 e que se intensifica cada vez mais, alterando as relações de poder no mundo. As mudanças tecnológicas que estão promovendo uma verdadeira revolução na educação e nas telecomunicações, valorizando quem detem o conhecimento e, de certa forma, desvalorizando os recursos naturais, a multipolaridade, que nada mais é do que vários centros de poder e influência no mundo, quebrando a hegemonia de um único país. E a quinta e última placa que seriam as mudanças demográficas e os fluxos migratórios que estão alterando as relações de trabalho e prestação de serviços no mundo todo.
Assim, quem conseguir “investir mais e melhor em pesquisa e desenvolvimento, em projetos de infra-estrutura, em reformas nos programas de pensão e assistência médica para os idosos, em educação e qualificação da força de trabalho”, ganhará um papel de destaque no cenário internacional do século XXI.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Aparelhos ideológicos e repressores
Protesto contra Bush na Av. Paulista - Repressão da Polícia
Para Louis Althusser, os Estados-nacionais modernos dispõem de dois artefatos para manter a coerção e o equilíbrio de sua população e território.
Os aparelhos repressores do Estado, que são representados pelo poder judiciário, pela polícia e pelo exército, utilizam a força como seu principal meio de manter a ordem e a união independentemente das diferenças sociais ou culturais que possa haver.
Já os aparelhos ideológicos do Estado, utilizam a ideologia como forma de manter o domínio, a tranqüilidade e as ideologias da classe dominante. Isso não quer dizer que os aparelhos ideológicos do estado não utilizam a força, eles a empregam, só que de uma forma mais escamoteada e seus reais interesses repressores se explicitam indiretamente. Os aparelhos ideológicos do Estado são representados por algumas instituições como a religião, a família, também o poder judiciário, a escola, os meios de comunicação, entre outras.
Os aparelhos repressores, por sua vez, também utilizam a ideologia para manter a coerção. O uso da força será necessário somente em alguns momentos em que a ideologia não der conta de segurar as grandes massas. Porém, seu principal instrumento, até mesmo inculcado em nosso inconsciente, é a liberdade que esses aparelhos repressores do Estado dispõem para usar a força quando lhes convém.
O principal mecanismo ideológico de um Estado-nacional moderno é a dupla escola-família. A escola hoje tem um papel fundamental na transmissão da ideologia da classe dominante para as crianças. A família também tem seu destaque no momento que transmite para as crianças paradigmas criados por uma classe que estava interessada em manter suas formas de reprodução dessas relações sociais para que sua própria reprodução pudesse ser assegurada.

Para Iná de Castro, uma idéia de identidade é construída sobre um território utilizando para isso elementos que possam, à primeira vista, parecer comum a todos como a cultura e a língua. Esta nova forma de divisão política só foi alcançada pela: “submissão e pelo controle do território. Este controle se faz pela imposição da lei, pelo comando centralizado da burocracia da administração púbica e pela uniformização das instituições sociais: língua, moeda, pesos e medidas, etc.” ( CASTRO, 2005, p. 114)
Com isso, a idéia de identidade de um povo passou a ser comum com a idéia de pertencimento a um território nacional, e, consequentemente, de submissão as regras desse território.
Assim, dando continuidade a essa idéia, Iná expõe:
“Língua e solo, como valores identitários das sociedades, foram assimilados pelos aparatos institucionais do Estado-nação e tornaram-se patrimônio comum da nacionalidade. Ambos são parte do cimento simbólico da solidariedade nacional e ajudam a legitimar socialmente o poder moral e o quere comum como o fundamento do poder político e o domínio do Estado, como instituição sobre o território.” (CASTRO, 2005, p. 107)
Carl Sagan

Estou lendo o livro “O mundo assombrado pelos demônios” de um dos maiores astrônomos do século XX, Carl Sagan. Meu grande mestre.
Neste livro, Sagan expõe suas idéias sobre misticismo, religião e pseudociências.
Para Sagan, a decadência crítica e intelectual é assim representada:
"Quando, agarrando os cristais e consultando nervosamente os horóscopos, com as nossas faculdades críticas em decadência, incapazes de distinguir entre o que nos dá prazer e o que é verdade, voltaremos a escorregar, quase sem notar, para a superstição e a escuridão"
E prossegue afirmando:
“[...]quando compreendi melhor esse capataz implacável chamado
método científico: tudo depende da questão da evidência. Sobre um tema tão importante, a evidência deve ser irrefutável. Quanto mais desejamos que seja verdade, mais cuidadosos temos que ser. Nenhum depoimento de testemunhas é bom o suficiente. As pessoas cometem erros. As pessoas fazem brincadeiras. As pessoas exageram a verdade para conseguir dinheiro, atenção ou fama. As pessoas de vez em quando compreendem errado o que vêem. As pessoas às vezes até vêem coisas que não existem.”
A ciência parece ser uma luz no fim do túnel. Um ponto de luz que devemos seguir. Uma luz frágil, tênue, mas, ainda assim, melhor do que a completa escuridão.
Meu maior medo é que o mundo mergulhe novamente em “trevas” ainda maiores do que os mil anos de atraso científico da Idade Média. Se naufragarmos novamente nas trevas, tudo que aconteceu e que está nos livros de história, não terá valido a pena. Devemos nos apressar, afinal, parece que o processo de decadência já começou... Olha só a que ponto nós chegamos:
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Navio negreiro da globalização




Ressoando como os gritos de uma velha louca num hospício esquecido por Deus e pelos homens, “ O Navio Negreiro” de Castro Alves encontra paralelo histórico e renasce para explicar situações contemporâneas.
A única diferença dos antigos navios negreiros para os atuais, é que hoje sua tripulação embarca por livre e espontânea vontade (ou não).
São as invasões bárbaras da nossa época...
Espero que estes “novos bárbaros” causem tanto estrago quanto os antigos povos que destruíram o império romano e mutilaram sua cultura original.
Tomara que os países desenvolvidos sejam desfigurados pelos milhões de imigrantes que entram em suas fronteiras todos os anos e que carregam consigo todas as revoltas de uma população que foi excluída e humilhada internacionalmente.
Isso é pouco diante do que os países ricos realmente merecem... foram séculos saqueando nossas riquezas e matando nossa gente... são assassinos e saqueadores disfarçados de banqueiros, exploradores e aventureiros.
O Navio Negreiro
Composição: Castro Alves
Â’Stamos em pleno mar
Era um sonho dantesco... o tombadilho,
Que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar do açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras, moças... mas nuas, espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs.
E ri-se a orquestra, irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Se o velho arqueja... se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa dos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece...
Outro, que de martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra
E após, fitando o céu que se desdobra
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais!
Qual num sonho dantesco as sombras voam...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanaz!...
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noite! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!...
Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são?... Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa musa,
Musa libérrima, audaz!
São os filhos do deserto
Onde a terra esposa a luz.
Onde voa em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados,
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão...
Homens simples, fortes, bravos...
Hoje míseros escravos
Sem ar, sem luz, sem razão...
São mulheres desgraçadas
Como Agar o foi também,
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos
Filhos e algemas nos braços,
N'alma lágrimas e fel.
Como Agar sofrendo tanto
Que nem o leite do pranto
Têm que dar para Ismael...
Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana
Quando a virgem na cabana
Cisma das noites nos véus...
...Adeus! ó choça do monte!...
...Adeus! palmeiras da fonte!...
...Adeus! amores... adeus!...
007 Casino Royale: NÃO ASSISTA ESSA MERDA!

Perdi quase duas horas e meia vendo essa lorota de super-homem britânico que salva centenas de bilhões de vidas e livra o universo dos terroristas.
Do filme, dá pra tirar algumas conclusões:
1.A Inglaterra nunca perde a pose;
2.Tem um cara ridículo que se acha lindo, gostoso e sedutor;
3.O filme enaltece uma dezena de bandidos ricos e fúteis que gastam 15 milhões de dólares numa rodada de pôquer.
domingo, 19 de outubro de 2008
Milton Santos: O mundo global visto do lado de cá.
Clamamos por um outro mundo, uma outra globalização. Estamos do lado de cá; não estamos sendo beneficiados pelas trilionárias cifras comerciais nem pelo avanço técnico-científico que definitivamente não foi compartilhado.
Será que a ciência pode ser considerada digna se ela der conforto apenas a 20% da população mundial?
Ainda embriagados pela fábula da globalização, não conseguimos enxergar que essa história de “países em desenvolvimento” é uma marmota. Enquanto estamos presos a idéia de que estamos nos aproximando dos países ricos, nos esquecemos que o padrão de vida e consumo destes países é incompatível com a ecologia, a sustentabilidade e a preservação dos recursos e da espécie humana a longo prazo.
Uma outra globalização é possível? Provavelmente sim. Porém, a mudança terá que acontecer de baixo pra cima e liderada por aqueles que nada, ou quase nada ganharam com o modelo atual.
Segundo Milton, “as condições da história atual permitem ver que outra realidade é possível. Essa outra realidade é boa para a maior parte da sociedade (...). Estamos fazendo os ensaios do que será a humanidade”.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Relíquias de um passado bárbaro
Há algum tempo atrás, lendo um livro do brilhante historiador egípcio Eric Hobsbawm, pude entender perfeitamente a relação entre barbárie e civilização.
A barbárie, não é uma coisa externa a nós e que precisamos ir a uma instituição para aprendê-la, assim como se vai a uma escola para aprender a tocar piano. A barbárie está internalizada em nossa carne e faz parte de nosso corpo como o sangue que corre em nossas veias.
O estágio de civilização é de uma fragilidade inigualável. Vivemos numa sociedade aparentemente civilizada, mas, isso é o mínimo de que necessitamos para podermos viver e não nos aniquilarmos completamente.
A civilização é tão frágil, que basta um pequeno deslize e todo o conhecimento acumulado e as normas do “contrato social” vão por água abaixo.
A Geografia, vista como uma ciência interdisciplinar pode e deve contribuir de maneira louvável. Para Kropotkin, “É quase seguro que não existe outra ciência que possa tornar-se tão atrativa para a criança como a Geografia, e que possa se constituir num poderoso instrumento para o desenvolvimento geral do pensamento [...]” (KROPOTKIN, 1885). Assim, o Autor deixa explícita sua opinião quanto ao papel e importância que a Geografia tem no desenvolvimento intelectual de uma criança, além de dizer que: “A geografia deve cumprir, também, um serviço muito mais importante. Deve ensinar-nos, que tosos somos irmãos [...]” (KROPOTKIN, 1885). Aqui, o autor expõe o caráter de cunho humano e de conscientização que a Geografia tem. Uma ciência que estuda o espaço, deve necessariamente mostrar que tudo e todos temos origens comuns e somos interdependentes, independente das diferentes culturas, nacionalidades ou classes sociais.
Para Kropotkin:
“É tarefa da geografia esclarecer essa realidade, e com grande ênfase devido ao contexto de mentiras acumuladas pela ignorância, presunção e egoísmo. Deve reforçar nas mentes das crianças que [...] quaisquer que sejam as guerras que tenham ocorrido, subjaz sempre no fundo destas, o mais míope dos egoísmos [...] que as fronteiras políticas são relíquias de um passado bárbaro.” (KROPOTKIN, 1885)
Quando fazemos compras ou andamos por um movimentado centro financeiro, nem conseguimos notar com clareza que mergulhar na barbárie parece ser realmente mais fácil do que parece. Basta um pequeno deslize!
Por que o Brasil ainda não deu certo?

No final do livro “O povo Brasileiro”, Darcy Ribeiro expõe o verdadeiro motivo pelo qual nós mergulhamos no atraso, enquanto na América do Norte ouve um crescente enriquecimento.
“O ruim aqui, e efetivo fator causal do atraso, é o modo de ordenação da sociedade, estruturada contra os interesses da população, desde sempre sangrada para servir a desígnios alheios e opostos aos seus. Não há, nunca houve, aqui um povo livre, regendo seu destino na busca de sua própria prosperidade. O que houve e o que há é uma massa de trabalhadores explorada, humilhada e ofendida por uma minoria dominante, espantosamente eficaz na formulação e manutenção de seu próprio projeto de prosperidade, sempre pronta a esmagar qualquer ameaça de reforma da ordem social vigente.” ( RIBEIRO, 2006, P. 408)
terça-feira, 22 de julho de 2008
União Gay
Este texto foi publicado várias vezes, em diversos fóruns sobre respeito a diversidade sexual, em inglês, e sem autoria.
1. Ser gay não é natural. Brasileiros de verdade sempre rejeitam as coisas artificiais, como lentes de contato, poliéster e ar condicionado.
2. O casamento gay vai encorajar pessoas a serem gays, da mesma forma que sair com pessoas altas vai fazer você ficar mais alto.
3. Legalizar o casamento gay vai abrir um precedente pra todo o tipo de comportamento maluco. As pessoas podem até querer casar com seus bichos de estimação.
4. O casamento hetero esteve aí este tempo todo e nunca mudou: mulheres continuam sendo propriedade dos homens, negros não podem casar com brancos e o divórcio continua ilegal.
5. O casamento hetero perderia o sentido se o casamento gay fosse permitido. O sacramento do casamento só de zoação de 55 horas da Britney Spears seria destruído.
6. Casamentos heteros são validos porque produzem crianças. Casais gays, pessoas inférteis e pessoas velhas não devem ter o casamento permitido, porque nossos orfanatos não estão cheios o suficiente, e o mundo precisa de mais crianças.
7. Obviamente pais gays só criam filhos gays, assim como casais heteros só criam filhos heteros.
8. O casamento gay não tem o apoio dos religiosos. Numa teocracia que nós vivemos, os valores de uma única religião têm que ser impostos sobre todas as pessoas do país inteiro. É por isso que temos apenas uma religião no Brasil.
9. Crianças nunca podem ter sucesso sem o papel de um modelo de homem e mulher em casa. É por isso que na nossa sociedade é estritamente proibido pais ou mães solteiros criarem crianças sozinhas.
10. O casamento gay vai mudar os fundamentos da sociedade; nós nunca poderemos nos adaptar a novas normas sociais. Assim como nós não nos adaptamos aos carros, ao terceiro setor, vidas mais longas e a internet.
Já reparou que essas maluquices só dão certo em países sub-desenvolvidos, como Holanda, Canadá, Alemanha e Inglaterra?
SURPLUS: Sonhos de consumos impossíveis.
Este é um ótimo documentário que me ajudou a entender melhor que consumo só leva a mais consumo, degradação do planeta e ao sentimento de estar aprisionado num circulo vicioso onde os consumidores são marionetes, o consumo é satisfação e as multinacionais são deuses.
O que nos faz felizes?
Quebrar todas as indústrias e voltarmos a idade da pedra talvez não seja a coisa mais sensata a se fazer. Porém, degradar um planeta inteiro para satisfazer apenas aos desejos consumistas de 20% da população mais rica do mundo, enquanto o resto das pessoas dividem migalhas, é a maior insensatez da história da nossa espécie.










